Explorando a Linha de Sintra (CP & Refer)

Por vezes aqui pode-ser falado sobre outros meios de transporte (sem ser o autocarro) e que por vezes até dão histórias interessantes do ponto de vista geral. É o caso do comboio, mais precisamente a CP/REFER e as suas linhas onde passam e que algumas delas as explora. Hoje falarei sobre a linha mais movimentada em Portugal, a Linha de Sintra.

Os inícios: considerações sobre a infra-estrutura e projectos derivativos

Falando sobre a infra-estrutura, as obras desta linha começaram em 1883, após um variado número de projectos para sistemas, incluíndo o famoso Sistema Larmanjat, e outros, como um projecto que vinha da Estação de Santa Apolónia ligando a Pombal, via Vale de Chelas, Torres Vedras e Caldas da Rainha, mas que foi cancelado, devido á queda do Governo.

O projecto que avançou para a frente foi um projecto que se constituia como 2 grupos de Linhas (uma entre Alcântara e Torres Vedras, com ramais em Sintra e Merceana, e outro, que continuava a linha vinda de Torres Vedras, até Figueira da Foz e Alfarelos). A concessão foi atribuida á Henry Burnay & Co. e em 1887, quando as obras avançavam já em bom ritmo, isto dentro dos parâmetros legais, a conexão entre Alcântara e Sintra já foi estabelecida.

Em 1886, foi autorizada a construção de um ramal entre a Linha do Leste e a Linha do Oeste, conectando as estações de Xabregas e Benfica, e a 9 de Abril de 1887, a Companhia Real dos Caminhos de Ferro (hoje a CP) foi autroizada a explorar e a construir uma linha suburbana entre a Linha do Oeste e um interface na baixa de Lisboa e em 23 de Junho a mesma foi autorizada a construir ramais de acesso da Linha de Cintura á Estação Central (hoje Estação do Rossio), e em 1888 os trabalhos de construção do actual Túnel do Rossio, com a sua via férrea começaram, e acompanhados sempre dos estudos geológicos. Em 1889 o túnel estava completamente perfurado e no mesmo ano já tinha passado o 1º comboio, mas apenas em Maio de 1891 é que se iniciou a exploração da Linha. Em 1895, a linha entre Campolide e Agualva-Cacém foi duplicada.

Século XX: Reconhecimento e expansão da sua importância como linha suburbana

No Século XX, a linha e os seus serviços irão conhecer um período de forte crescimento de tráfego, mesmo na I Guerra Mundial, sendo também visível, não assim tão forte no caso de outras linhas. Em 1928 a Linha de Sintra terá nas suas estações motivos floridos, num projecto apoiado pelo SPN (Secretariádo de Propaganda Nacional). A nível de infra-estruturas, em 1948, a linha receberá a duplicação entre Mercês e Aguálva-Cacém e em 1949 a linha já está duplicada até Sintra, permitindo uma melhoria do serviço prestado. A nível de material circulante usado, em 1948 foram introduzidas as primeiras automotoras Diesel na CP e na Linha de Sintra, cerca de 15 unidades e 15 reboques, estas encomendadas na Suécia, as Nohab (Série 0100, retiradas de serviço em 2007, hoje ainda em serviço na Argentina), que, segundo a CP, pretendia dinamizar o serviço naquela linha e reduzir a dependência da locomotiva e da carruagem, menos prácticas de usar.

Nos anos de 1950, a ferrovia irá conhecer um investimento considerável, para reduzir a dependência do vapor e diminuir os tempos de percurso das linhas. Em 1955, foi assinado um contrato de electrificação desta linha (e também da Linha do Norte entre Lisboa e o Carregado) pelo então Presidente da CP (Caminhos de Ferro Portugueses), Mário Melo de Oliveira e Costa e por outros engenheiros para a entrega de 15 locomotivas eléctricas (a Série 2500, hoje abatidas) e 25 composições suburbanas eléctricas (as Séries 2000/2050/2080, hoje ainda em serviço igualmente nas Pampas) e o apetrechamento e montagem de 2 estações de transformação, catenária e sistema de sinalização, a cargo do Groumpment d’Étude et d’Electrification de Chemins de Fer en Monofasé 50 Hz.

Em 1956 o processo de electrificação foi concluído e em 1957 (ambos os eventos a 28 de Abril) iniciou-se a exploração dos serviços com a Série 2000. A partir dos anos 50 e 60, com o crescimento urbano exponencial da área onde a linha era explorada, a Linha de Sintra irá sofrer vários problemas, que foram provocados por um planeamento deficiente da linha em si, a segurança da linha estava comprometida, com vários acidentes, margem de segurança reduzida para os trabalhadores da linha, conjugados com conflitos de sinalização, fez afastar, combinando também com obras lentas, os passageiros mais exigentes. Mas ainda assim em 1960, a Linha de Sintra chega aos 10 milhões de passageiros, e isso foi reflexo do investimento na linha feito ao longo dos anos. Mas com isso, a CP foi obrigada a investir mais na linha e a quanto mais a oferta e a procura crescia, os ciclos de investimento eram menores. Isto tornou-se um caso nítido da lenta resposta da CP á forte suburbanização da altura, gerando uma procura insustentável.

Pós-25 de Abril de 1974: Novos serviços e modernização com vista ao futuro

Em 1977, após a revolução do 25 de Abril de 1974 e a nacionalização da CP em 1975 (com a emissão do Decreto-Lei 206-B/75, de 16 de Abril do mesmo ano), passa a haver um sistema de classe única, permitindo uma maior capacidade e resposta dos comboios á procura da população, tal como viria a acontecer com as outras linhas suburbanas na região e na 2ª metade dos anos 80, foi iniciado a instalação do sistema Convel, que permitiria regular a velocidade automáticamente. Este sistema entrou ao serviço em 1993. Na altura a Linha de Sintra havia expandido os seus serviços, não só servindo o Rossio, mas igualmente (com partida da Amadora e do Cacém) o antigo Apeadeiro de 5 de Outubro, criado nos anos 90 (hoje estação de Entrecampos, após 1998, com a criação do comboio da Ponte 25 de Abril – Fertagus), que servia como terminal.

Nos anos 90 a linha já era considerada um dos Backbones da rede ferroviária nacional e foi apetrechada por várias alterações (positivas) ao longo dos anos, envolvidas num mega-programa de modernização da linha, com vista a responder ainda melhor á procura:

  • Foram encomendadas 42 composições eléctricas (as séries 2300 e 2400) ao consórcio formado pela AdTranz (ABB Daimler-Benz) e pela Sorefame (Sociedade Reunida de Fabricações Metálicas), cuja entrega estaria para o final de 1992;
  • A nível de infra-estruturas, prendia-se com os inicios da quadruplicação da via entre Campolide e Cacém, com vista á capacitação da infra-estrutura para o aumento do tráfego na linha, processo que apenas em 2011-2012 foi concluído, e que levou ao encerramento do Apeadeiro da Cruz da Pedra e da Estação de Santa Cruz, mais tarde integrada na Estação da Damaia, formando a estação de Santa Cruz-Damaia;
  • São remodeladas várias estações, para além da criação da de Sta. Cruz-Damaia, como a Estação do Rossio e a estação de Benfica, sendo que as últimas estação a ser remodelada, em 2011, foram as estações de Massamá-Barcarena e a de Aguálva-Cacém;
  • Em 1998, os serviços provenientes do apeadeiro 5 de Outubro são prolongados á Estação do Oriente, num lado e a Queluz-Massamá (hoje Monte Abraão) e a Mira Sintra do outro para servir a Exposição Universal de Lisboa, que ocorreu no mesmo ano. Mais tarde são prolongados a Alverca.

2000-presente: últimas alterações

Em 2004 o Túnel do Rossio é encerrado por risco de derrocada, e para reabilitar o túnel em si, visto que tem mais de 100 anos, e capacitar o túnel de maior acessíbilidade em caso de emergência. Para isso, foram intervencionadas as paredes onde foi usado betão armado para tal, e foi equipado em toda a extensão (cerca de 2614 metros) com carris embebidos, permitindo assim o acesso a veículos de emergência ou veículos de serviço.

Em consequência das obras, é encerrado o Ascensor da Glória, entre 2006 e Fevereiro de 2007, visto que se temia derrocadas na zona a intervencionar, durante as obras. Os serviços desta linha, nomeadamente o serviço Rossio-Sintra é desviado para a estação de Roma-Areeiro, sendo que os serviços para Campolide estavam assegurados a partir de Sete Rios no serviço da Linha da Azambuja – o comboio Castanheira do Ribatejo-Alcântara, em 2013 prolongado á Azambuja e a operar todos os dias. O túnel foi reaberto em 2008, uma cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

E é em 2008 que os comboios que iam a Alverca no período do corpo do dia, são encurtados a Roma-Areeiro, visto que o serviço já podia ser transferido para o serviço da Linha da Azambuja entre Alcântara e Castanheira do Ribatejo (já referido no lado oposto). Continuava a haver comboios entre Alverca e Monte Abraão ao fim-de-semana. No mesmo ano a Série 2300, que operava esta linha é submetida a uma remodelação, onde são mudados os aspectos interiores com assentos mais confortáveis e a nível exterior, com uma faixa vertical vermelha no sentido da porta, ao invés da horizontal em toda a área das janelas, que vinha de origem da fábrica. Em 2009, alguns comboios desta e da série similar (a 2400) são re-alocados á recém-electrificada Linha do Sado, sem um grande impacto no serviço da Linha.

Em 2013 o serviço da Linha é completamente alterado, sendo que os comboios Rossio-Sintra-Rossio passam a ser operados pela Série 3500 (de 2 pisos), visto que a Série 2300 denotava problemas nos rodados das composições, os comboios Meleças-Areeiro, do corpo do dia dos dias úteis é prolongado ao Oriente e passa igualmente a fazer serviço ao fim-de-semana, efectuado este ainda pelas Séries 2300 e 2400. O serviço a Alverca continua a ser assegurado pela Linha da Azambuja, a partir de Sete Rios no comboio Alcântara-Azambuja, este com o período de funcionamento prolongado ao fim-de-semana, e com os comboios da Série 2300/2400. A Série 2400 é submetida igualmente a uma renovação, entre 2012 e 2013, onde é igual no aspecto exterior, mas a nível interior não é uma mudança tão radical.

Em mais de 120 anos, a linha e o seu serviço foram o reflexo do crescimento da cidade de Lisboa, e igualmente da importância de Sintra como uma localidade importante, e sobretudo a partir da 2ª metade do Século XX, o reflexo da expansão dos subúrbios da cidade e da importância do comboio para uma ligação mais rápida entre esses subúrbios, o centro de Lisboa e novos centros de atracção que aparecem ao longo dos tempos.

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